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Mafra(SC), Domingo, 19 de Setembro de 2021 - 08:53
01/09/2021 as 18:37 | Por Redação/assessoria | 120
Deputado bolsonarista ouve versão de homem que tentou matar a mulher e revolta MP
MSPS divulga nota de repúdio contra deputado catarinense que recebeu em seu gabinete autor de disparos contra Maria da Penha
Fotografo: divulgação
Jesse e Marco Antônio-sbcsul.1.9.21

É ou não é...já disseram que o deputado Jessé quer nadar contra maré para aparecer e demonstrar que é o tal, diferente de todos, mas tem casos e fatos que fogem do entendimento psicológico...e o Ministério Público de Santa Catarina nesta quarta-feira, 01, em peso veio a público manifestar o seu veemente repúdio ao comentário do deputado estadual Jesse Lopes nas suas redes sociais e replicado pela imprensa acerca do histórico de violência sofrida por  Maria da Penha Maia Fernandes. Após receber em seu gabinete Marco Antonio Heredia Viveros, o ex-marido de Maria da Penha, que foi condenado por dupla tentativa de homicídio por ter tentado matá-la, o Parlamentar  afirmou na terça-feira (31/8) que a versão dele sobre o caso  "é, no mínimo intrigante". 

Diz a nota do MPSC : Maria da Penha Maia Fernandes, no ano de 1983, foi vítima de dupla tentativa de homicídio por parte de Marco Antonio Heredia Viveros. Primeiro, ele deu um tiro em suas costas enquanto ela dormia. Como resultado dessa agressão, Maria da Penha ficou paraplégica devido a lesões irreversíveis. 

Seu ex-marido, recebido pelo Deputado em gabinete, foi definitivamente condenado pelos crimes de que foi acusado, portanto, só existe uma versão para o fato: ele realmente tentou matar Maria da Penha.

A  trajetória da vítima em busca de justiça durante 19 anos e 6 meses faz dela um símbolo de luta por uma vida livre de violência contra as mulheres e deu nome a Lei 11.340. sancionada em 7 de agosto de 2006.

É inadmissível que esse tipo de argumento de descredenciar a vítima seja apresentado por um Parlamentar no exercício de suas atribuições. Tal postura é amplamente combatida pelo Ministério Público de Santa Catarina, inclusive por meio de programas institucionais de prevenção e apoio às vítimas de violência doméstica. 

Ao relativizar um crime tão grave,  denota um flagrante retrocesso à garantia de uma sociedade livre de violência contra as mulheres e é inaceitável que isso ocorra em um país que,  somente em 2020, teve aproximadamente 17 milhões de mulheres vítimas de violência física, psicológica ou sexual e, infelizmente, ocupa a triste e incômoda posição de ser um dos países onde mais se mata mulheres.

O Ministério Público de Santa Catarina também se solidariza com os familiares e amigos das vítimas desse grave e covarde crime: são mais de 20 vítimas só este ano em nosso estado. Promotores de Justiça, Policiais, Magistrados, Profissionais de saúde  e toda uma rede  de apoio lutam incessantemente para que esses números diminuam e os criminosos sejam punidos.

Atitudes como a do Parlamentar em nada contribuem para a diminuição dessa violência. Ao buscar legitimar a ação de um criminoso condenado por crime de sangue, o Parlamentar ofende os familiares das vítimas que lamentam a perda de seus entes queridos, assim como deslegitima aqueles que buscam que os criminosos sejam punidos pelos seus crimes. 

A violência e o crime não podem jamais ser relativizados.

Coordenadora do Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (GEVIM), Procuradora de Justiça Cristiane Rosália Maestri Böell
Procurador-Geral de Justiça, Fernando da Silva Comin
Ministério Público de Santa Catarina (MPSC)

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A foto do encontro do deputado bolsonarista de Santa Catarina Jessé Lopes com o ex-marido e agressor de Maria da Penha gerou muitas críticas e indignação também nas redes sociais. O deputado, que se diz conservador, defensor da família tradicional e dos valores morais cristãos, disse que “ouviu a versão” do agressor e a classificou como “intrigante”.

Jessé disse que “ouviu a versão” do agressor e a classificou como “intrigante”.
Foto: Instagram / Reprodução

Após o episódio, políticos, influenciadores e internautas condenaram a atitude do deputado estadual, que estaria tentando desqualificar a gravidade do caso de Maria da Penha. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




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