Fotografo: divulgação
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Risco de traumatismo e morte-sbcsul-12-2-20

Uma nova febre tomou conta das redes sociais, onde alunos estão postando vídeos da chamada ‘brincadeira da rasteira”. O assunto é sério e já houve morte de adolescente por conta de brincadeira semelhante, em Mossoró, Rio Grande do Norte.

 

A ‘brincadeira da rasteira’ consiste em derrubar uns aos outros no chão e muitos vídeos viralizaram na internet. Os participantes, geralmente três, ficam um do lado do outro e começam a pular. Os dois que ficam nas extremidades passam a rasteira no participante do meio.

 

O participante do meio geralmente cai de costas, batendo com a nuca no chão.

 

Para os adolescentes pode parecer apenas uma brincadeira, mas de acordo com especialistas, ao ser derrubado no chão, o adolescente pode bater fortemente com a cabeça no chão, ocasionado até traumatismo craniano.

 

Como é caso da adolescente Emanuela Medeiros, 16 anos, que sofreu traumatismo craniano em novembro do ano passado, vindo a óbito três dias depois de ser internada em uma unidade de saúde em Mossoró, Rio Grande do Norte.

 

De acordo com o G1, a prima da vítima disse que a estudante participava de uma brincadeira com outras duas pessoas que a seguraram e tentaram girá-la, como uma espécie de cambalhota. Durante o giro, ela caiu e bateu a cabeça no chão.

 

“Além de traumatismo craniano, com sérios hematomas cerebrais, a uma queda nessas circunstâncias pode ocasionar lesões na coluna cervical deixando, inclusive, a pessoa que se acidentou tetraplégica. É importante lembrar também que os dois tipos de dano podem também levar à morte. Não são boas práticas brincadeiras desse tipo”, comentou durante entrevista ao G1, o neurocirurgião Márcio Ramalho.

 

As escolas devem ficar atentas e orientar os alunos quanto os riscos desse tipo de brincadeira. Os pais também devem ficar atentos, principalmente sobre os que os filhos estão acompanhando nas redes sociais, pois esse tipo de brincadeira viralizou e pode incentivar novos acontecimentos.

Para especialistas a brincadeira não tem nada de engraçado e pode causar lesões muito graves. "Fiquei chocado com esse tipo de 'brincadeira'. São bem diferentes das brincadeiras da minha época de infância. Não tem nada de sadio e o risco de traumatismo cranioencefálico (TCE) é imenso, pois os participantes caem no solo com choque direto da parte posterior do crânio sem chances de defesa ou reação. Seguramente, os riscos de lesões no crânio são imensas", alerta o ortopedista Octacílio da Matta. 

Morte ou lesões na coluna

Para o ortopedista, a chance de morte é alta. "A consequência mais severa seria a morte por traumatismo cranioencefálico. As lesões no traumatismo cranioencefálico variam de acordo com as áreas atingidas, podendo ficar sequelas, tais como dificuldade para caminhar, falar, enxergar e ouvir, além de trazer dificuldades para movimento com os membros superiores e inferiores". 

Para o também ortopedista, Daniel Oliveira,  esse tipo de brincadeira  preocupa muito os médicos, pois ela pode trazer lesões graves às vítimas. "Durante a queda, a pessoa  perde totalmente o equilíbrio e cai desprotegida  no chão, o que pode provocar traumas crânio-encefálicos, lesões e fraturas na coluna, além de fraturas nos membros inferiores como nas mãos,  punhos e  cotovelos", explica.

Brincadeira nas escolas de RioMafra

A estudante do ensino fundamental R.M.S de 13 anos informou ao SBCSul que é comum a brincadeira da rasteira nas escolas de Mafra e Rio Negro e que geram muitas risadas e o colega que caiu na brincadeira fica senteciado a fazer o mesmo com outro e de preferência na entrada da quadra quando da realização de educação física e da saída do banheiro. 

-Não vejo nada demais, meus pais também brincavam assim, é divertido..-, disse a adolescente que nos informou ainda não ter recebido nenhuma orientação da escola de Rio Negro onde estuda sobre a prática da brincadeira que pode ser mortal.