Fotografo: divulgação
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Plantação de soja e milho-sbcsul-26-11-19

Presente na Câmara de Vereadores de Mafra, na noite de segunda-feira, 25, o gerente regional da Epagri,Gilcemar Adriano Vogt  usou a tribuna para falar sobre os 30 anos da Estação Experimental da Epagri em Canoinhas e foi sabatinado pelos vereadores Dimas Humenhuck (PTB), Edenilson  Schelbauer (PSB) e Adilson Sabatke  (PP) sobre posicionamento do governo estadual e da Epagri frente aos ataques do governador Carlos Moisés ao setor produtivo agro e a tributação dos defensivos agrícolas em 17% a partir de janeiro de 2020.

Gilcemar se ateve a delinear o Programa Agro Consciente lançado pelo Governo do Estado na última quinta-feira, 21, como parte da criação de políticas públicas de incentivo ao cultivo de alimentos seguros e sustentáveis.

-A princípio era para abolir o uso dos agrotóxicos em lavouras catarinenses, mas não teve como...então começamos a fomentar o uso de estratégias para reduzir o uso do agrotóxico – disse Gilcemar.

O vereador Schelbauer quis saber de imediato qual o posicionamento da  presidente da Epagri, Edilene Steinwandter a esse respeito e Gilcemar disse responder  só por sua área.

Coube à Gilcemar Vogt falar em nome do Governo do Estado. Ele respondeu ao vereador Dimas afirmando que a equipe da Epagri é pequena para atender a demanda de toda região a fim de instruir os agricultores a mudarem sua visão de cuidados com as lavouras e a usarem outros meios para conter larvas e insetos em vez de defensivos agrícolas.

-Precisa usar de maneira consciente os agrotóxicos e o que observamos através de pesquisas, junto ao Serasa e Cidasc, órgão que controla a regulamentação do agrotóxico, que há número de receituários em demasia e com isso o excesso de uso do agrotóxico nas lavouras – disse Gilcemar, e disse mais – o agricultor para não correr o risco de que larvas afetem sua lavoura, ele usa em dobro a dosagem do veneno nos alimentos e  Gilcemar justifica:

-O vendedor de defensivos agrícolas quer vender, é claro...àquele que dá assistência ao produtor quer vender o agrotóxico, é claro...e o produtor armazena na casa e o reutiliza em  algumas lavouras em várias circunstâncias por excesso de medo de pragas. O produtor catarinense está usando o defensivo agrícola como forma preventiva e não como curativa e os vendedores são pressionados a vender...- disse Gilcemar.

O gerente da Epagri informou que o Governo está estruturando ações com a colaboração de todos os órgãos da agricultura, desenvolvimento sustentável e desenvolvimento social, para estabelecer linhas de fomento convergentes com as propostas agroecológicas.De acordo com dados do IBGE, mais de um quarto dos estabelecimentos agropecuários de Santa Catarina (total aproximado de 180 mil propriedades rurais) declararam não utilizar agrotóxicos na produção agrícola. Todavia, essa expressiva parcela da atividade agrícola catarinense pouco ou nada recebe de vantagens competitivas por meio das políticas públicas, ao contrário dos incentivos que são concedidos pelo Estado como no caso das isenções fiscais aos agrotóxicos, os quais são usados em larga escala no cultivo de commodities (soja e milho, principalmente) e que se destinam, em geral, à alimentação de animais para abate pelas agroindústrias.

Sobre afetar a agricultura familiar  e diretamente ao pequeno produtor, vereador Adilson Sabatke questionou Gilcemar sobre as taxas das alíquotas que serão impostas pelo Governo do Estado aos defensivos agrícolas, de 17% a partir de janeiro de 2020, enquanto que Rio Grande do Sul  e Paraná vão manter as alíquotas no índice zero.

-Não acha que 17% de taxa é injusto com o homem do campo? Perguntou Adilson.

A resposta foi categórica - para diminuir o consumo dos defensivos agrícolas, o governo viu por bem aumentar as aliquotas, pelo bem da saúde da população . Os defensivos agrícolas ou agrotóxicos estão em lavouras de mais da metade dos alimentos hortícolas e parte substantiva dos produtos de origem animal que chegam à mesa sem ter o mesmo suporte da agricultura de monocultivos.

 

A questão é polêmica e o governo do estado alerta que não vai ceder nas suas metas frente ao aparato contrário de produtortes rurais.