Fotografo: divulgação
...
Senadores

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, na quarta-feira (10), o projeto de lei complementar que regulamenta a avaliação de desempenho de servidores públicos e estabelece regras para a demissão por baixo desempenho. Inserida na Constituição pela Emenda Constitucional 19, em 1998, a avaliação carece de regulamentação. A informação é do Portal Congresso em Foco. 

 

Relatora da matéria na comissão, a senadora Juíza Selma (PSL-MT) apresentou um requerimento de urgência para o projeto. Com a aprovação do pedido, com voto contrário dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Zenaide Maia (PROS-RN), o texto seguirá diretamente para plenário. A oposição queria que o projeto passasse antes pela Comissão de Direito Humanos e Minorias.

A matéria regulamenta o artigo 41, inciso primeiro, da Constituição. O dispositivo determina que o servidor estável – já transposto o período de três anos de estágio probatório – fica sob risco de perder seu posto de concursado em caso de resultado insatisfatório “mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa”.

 

O que é o PLS 116/2017?

O PLS 116 é um projeto de lei de iniciativa de uma senadora, com o objetivo de regulamentar o art. 41, §1º, III, da Constituição Federal.

 

Primeiramente, vamos entender o que é estabilidade. Trata-se de um direito relativo de permanência no cargo aplicável aos servidores públicos efetivos. A estabilidade será alcançada após três anos de efetivo exercício, em cargo público de provimento efetivo (aprovado mediante concurso público) (CF, art. 41, caput).

 

Além dos três anos de exercício, é requisito para aquisição da estabilidade a aprovação em avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade (CF, art. 41, § 4º).

 

O propósito da estabilidade é assegurar ao servidor público autonomia no desempenho de suas atribuições, permitindo que ele possa praticar seus atos sem preocupações com pressões políticas.

 

Porém, não se trata de um direito absoluto, justamente porque a estabilidade não serve para proteger o desempenho irregular ou ineficiente da função pública. Por isso, existem quatro hipóteses que permitem a perda do cargo do servidor estável (CF, art. 41, § 1º):

 

em virtude de sentença judicial transitada em julgado;

mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;

mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa.

excesso de despesa com pessoal (na forma do art. 169 da CF).

O PLS 116/2017 tem o objetivo de regulamentar a avaliação periódica de desempenho, que poderá culminar com a perda do cargo.

 

Como é o texto do PLS 116?

Agora que você já sabe o que é, vamos entender o que consta no PLS 116. Ele é organizado em 27 artigos, distribuídos em sete capítulos. O último capítulo trata das disposições transitórias, por isso vamos desconsiderá-lo na análise. Vejamos, então, os demais:

 

Capítulo I – Abrangência

Trata do alcance das normas do PLS, prevendo a sua aplicação a todos os entes da Federação. Portanto, será uma lei de alcance nacional, aplicável à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios.

 

Capítulo II – Avaliação

Trata do procedimento de avaliação em si. A avaliação será realizada por uma comissão de três membros, formada pela chefia do servidor, um servidor estável designado pelo setor de recursos humanos e um servidor estável escolhido por sorteio, entre os integrantes da mesma lotação do servidor avaliado.

 

Segundo o Projeto, a avaliação será anual, considerando diversos fatores. Estes serão divididos em dois grupos:

 

(i) fatores fixos, que são a qualidade e a produtividade – cada um valendo 25% da pontuação final;

(ii) fatores variáveis, em número de cinco, cada um valendo 10% da avaliação final. Os fatores variáveis serão escolhidos na fase de planejamento, mediante a seleção entre doze fatores disponíveis.

Ao final, serão atribuídas notas, obtidas pela média da avaliação de cada um dos membros da comissão. A pontuação ficará entre 0 e 10 pontos.

 

O conceito final, que leva em conta o desempenho em todos os fatores avaliativos, será um dos seguintes, conforme a pontuação do servidor:

 

superação (de 8 a 10 pontos);

atendimento (igual ou superior a 5 pontos e inferior a 8 pontos);

atendimento parcial (igual ou superior a 3 pontos e inferior a 5 pontos);

não-atendimento (inferior a 3 pontos).

Capítulo III – Sistema recursal

O capítulo III trata dos sistema recursal. O primeiro momento de recurso ocorrerá já na fase de planejamento da avaliação. Os subordinados poderão contestar, em formulário sigiloso, os critérios definidos pela chefia para fins de avaliação.

 

Já na avaliação em si, o servidor poderá interpor pedido de reconsideração à comissão avaliadora e, no caso de indeferimento, total ou parcial, desse pedido, interpor recurso de revisão ao órgão de recursos humanos. O sistema recursal, entretanto, aplica-se somente quando o servidor obtiver notas de não-atendimento e de atendimento parcial, pois estar que podem culminar com a perda do cargo.

 

Capítulo IV – Acompanhamento

Esse é um capítulo cujo propósito é aumentar a qualidade no serviço, exigindo que o setor de recursos humanos realize acompanhamento permanente do desempenho do servidor, exigindo medidas para suprir as deficiências dos servidores com avaliação de não -atendimento ou de atendimento parcial.

 

Capítulo V – Processo de desligamento

Este é, certamente, o capítulo mais polêmico. Ele trata do desligamento do servidor cuja avaliação tenha sido insatisfatória.

 

O desligamento ocorrerá mediante exoneração, que ocorrerá nas seguintes hipóteses:

 

(i) atribuição do conceito de não- atendimento em duas avaliações sucessivas;

(ii) média do somatório de pontos das últimas cinco avaliações equivalente ao conceito de não- atendimento.

Assim, se nas duas últimas avaliações, o resultado final do servidor for inferior a três pontos, ele deverá ser exonerado. Também poderá ser exonerado o servidor que obtiver uma média inferior a três, considerando a pontuação dos últimos cinco períodos avaliativos.

 

Ocorrendo alguma dessas hipóteses, o desligamento não será automático. Primeiro, será instaurado o processo de desligamento, no qual o servidor poderá ainda ofertar alegações em sua defesa, que serão encaminhadas juntamente com seu dossiê para a autoridade máxima do órgão.

 

No final, a autoridade máxima, se constatar vício insanável, anulará as avaliações. Se, por outro lado, a autoridade entender que o processo foi regular, o servidor será exonerado por insuficiência de desempenho.

 

Capítulo VI – Desligamento de servidores que desempenhem atividades exclusivas de Estado

Para os servidores que desempenham atividade exclusiva de Estado, o processo de desligamento será mais complexo. Nesse caso, deverá ser instaurado um processo administrativo disciplinar convencional, nos mesmos moldes previstos para a demissão de servidores. Portanto, haverá uma garantia maior para os servidores que desempenham funções típicas de Estado.

 

O Projeto original estabelecia o conceito de carreiras típicas, mas o texto aprovado na CAS extinguiu esse conceito, uma vez que ficou entendido que tal definição deveria ser realizada no âmbito de cada ente da Federação, não podendo a União legislar genericamente sobre o assunto.

 

 

 

Qual o caminho até a aprovação?

Ainda é um pojeto de lei. Portanto, ainda não é lei. Atualmente, a avaliação periódica de desempenho carece de regulamentação para que tenha a sua aplicabilidade.