Fotografo: divulgação
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Reunião polêmica-sbcsul-23-1-20

O Auditório da Amplanorte foi palco de uma discussão polêmica envolvendo o empresário Gilmar Borille Junior, diretor da Construtora Borille que tem 9 edifícios em Mafra e os técnicos da área da engenharia civil e arquitetos da Prefeitura que estavam expondo o Plano Diretor do Município para os próximos anos para uma plateia de 40 pessoas,sendo na sua maioria estudantes de engenharia e empresários do setor imobiliário entre outros cidadãos interessados no tema de zoneamento urbano e rural.

Gilmar Borille estava cercado de técnicos da área de engenharia da construtora e não gostou quando os engenheiros da Prefeitura falaram em alterações de projetos que garantisse que as residências próximas aos edifícios tivessem a abrangência da luz solar ao invés de serem cobertas pela sombra dos prédios. Os técnicos da prefeitura queriam um recuo nas edificações verticais para que as propriedades ao lado recebessem sol e alegaram terem ouvidos moradores e estudado edificações de cidades modernas como Curitiba para se basear na tese de que para construir um prédio vertical de vulto, a área do lote teria que ser grande ou dois lotes, a fim de proteger a qualidade de vida dos moradores das residências vizinhas.

-Vocês estão enganados, aqui não é São Paulo ou Curitiba, o que estão pensando que Mafra é...uma cidade grande, por favor! Desse jeito vocês estão querendo inviabilizar o crescimento de Mafra. Não dá desse jeito, não dá! Desse jeito ninguém vai construir prédios em Mafra...agora pensam que Mafra é cidade grande..(ironizou).é pequena, pô! Tem que deixar construir, gerar emprego. E não é por causa de uns cinco moradores que vão ter sombra em suas casas que edifícios deixarão de serem construídos...eles que se quiserem continuar reclamando então paguem os mais de 200 funcionários que a construtora tem e eu vou embora...pronto e sustentem as famílias de bagrinhos deles daí por diante! - disse o empresário em tom exaltado.

A  proposta polêmica do plano diretor foi defendida pela engenheira Jerusa Dutra que dizia que a autorização seria dada aos donos de lotes a construírem apenas o equivalente à área do terreno, com a redução do coeficiente de aproveitamento básico as área com recuo e sintonia com a vizinhança.

-Pensar no grande, no crescimento ordeiro do município e não de qualquer jeito como vinha ocorrendo no município, dizia ela. Mas na plateia, Gilmar Borille voltou a resmungar e dizer que não concordava. Jerusa chegou a pedir para levantar o braço quem estava contente em não ter a luz do sol em sua casa por causa de um prédio ao lado. Ninguém levantou. Um manifestante ainda que discreto disse em voz baixa...se tem tanto dinheiro assim compre as casas da vizinhança..Borille não respondeu. Outro morador disse que a projeção é Mafra ter mais 5 mil habitantes nos próximos 10 anos, o que não seria nada significativo, segundo ele, e que a questão de recuos em prédios verticais não merecia estar tendo o destaque como o que estava ocorrendo .

 

Em meio a soberba e exaltação do empresário que desabafava em defesa de seus interesses, a advogada Celina Ditrich, representando a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fez um apanhado do que aconteceu e acontece em Mafra, com relação à edificações. Disse Celina que, Mafra teve crescimento desordenado, que ainda é um município pequeno, mas isso não quer dizer que não se precise projetar o crescimento ordeiro pensando na qualidade de vida de seus moradores. Ela cita que Mafra precisa gerar emprego, mas priorizar a qualidade de vida é essencial ! A advogada vê brechas na redação do Plano diretor  em discussão  e coloca dúvidas sobre questões a serem resolvidas.Diz ela que certas colocações estão dando margem a interpretações e sugere que, em casos omissos na lei seja deliberado a decisão pelo Conselho.

A advogada também diz que o Plano Diretor depois de pronto deve substituir outros existentes, unificando todas as leis num código de postura/de atuação única.

Novas audiências públicas serão agendadas para os próximos meses. A intenção era entregar o Plano Diretor para votação na Câmara de Vereadores em maio, mas a Prefeitura pediu prorrogação do prazo para o Ministério Público para entregar em novembro.

Já encerrando as atividades que começou as 19h e eram 23h e ainda havia discussão, o presidente do Observatório Social, Francisco Nishioka pediu que os técnicos da Prefeitura respondessem os questionamentos do empresário Gilmar Borille, a fim de que não restasse dúvidas no final do encontro sobre o que foi tratado. Borille, de forma sensata disse que, pelo adiantado da hora iria fazer seus questionamentos diretamente à parte técnica da Prefeitura posteriormente