Fotografo: divulgação
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Bielecki-sbcsul.14.10.20

O Plenário da Câmara Municipal manteve o parecer do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina  (TCE/SC) e rejeitou as contas do prefeito Wellington Bielecki, no exercício de 2016, da Prefeitura Municipal de Mafra.Com a decisão da Câmara, o prefeito de Mafra torna-se inelegível por 8 anos e entra no rol dos políticos ficha suja, acompanhando os demais prefeitos que o antecederam, a saber Paulinho Dutra, Eto Scholze, Jango Herbst e Carlos Scholze.
 
A decisão foi tomada em sessão extraodinária realizada na noite desta quarta-feira (14), por 10 votos favoráveis, dois contrários e uma ausência, a do vereador Elcion Peters.
 
Segundo consta no relatório apresentado pelo TCE,  as falhas anotadas na instrução processual constam relacionadas especialmente a falta de cumprimento de lei que estabelece que o prefeito deva cumprir rigorosamente com o fechamento do balanço anual  do exercício de 2016, as quais só foram  pagas no exercício de 2017. Cerca de 9,56% a mais do orçamento estimado para o ano, foi gasto em 2016, cerca de R$ 11 milhões. 
 
 
Na defesa do prefeito, o Procurador do Município, Jaderson Weber alegou que todas as despesas foram empenhadas em 2016 e liquidadas nos primeiros meses do exercício de 2017, alegando que não haveria condição alguma de terminar aquele ano fazendo economia  e que caso essa medida fosse tomada pelo prefeito Wellington, a população teria sofrido com falta de atendimento em postos de saúde. Alegou ainda, que o TCE aprovou as contas do prefeito nos anos seguintes, dando aval ao posicionamento de gestão do atual prefeito. Completou dizendo que as contas do prefeito foram encaminhadas à Promotoria de Mafra logo que o TCE reprovou as contas, em sessão de julgamento dos desembargadores em Florianópolis e que foi remetida à Câmara de Mafra, mas que o MP de Mafra não se posicionou.
 
 
- Não tinha como terminar o ano... ou a população iria sofrer pelas economias que o prefeito iria fazer. E outra, o MP até agora não entrou com nenhuma ação de improbidade administrativa contra o prefeito e a Promotoria recebeu as contas do prefeito rejeitadas, portanto o julgamento é político por parte dos vereadores, disse Jaderson.
 
 
O procurador afirmou  que Wellington assumiu em julho de 2015 e que naquele ano Mafra teve três prefeitos, tendo herdado um déficit de cerca de R$ 8 milhões  e que,  em 2016 teria que gastar em seu governo, os R$ 8 milhões a menos para cobrir 2015 e pergunta, como gastar menos R$ 8 milhões em 2016? Jaderson disse que nem Wellington ou qualquer outro prefeito faria a proeza de economizar sem deixar a população sem atendimentos básicos.  Ele disse ainda na defesa do prefeito que, Wellington não teve 4 anos para se planejar.
 
Outro ponto na defesa das contas do prefeito, segundo o procurador Jaderson, foi que o próprio Wellington herdou a despesa em aberto de 2016, com sua reeleição em 2017 e que sanou o débito, cobrindo os gastos em saúde e educação que estavam pendentes. 
 
 
-O próximo gestor vai receber bem o município, no ponto de vista das contas públicas. O TCE não votou pela rejeição das contas do prefeito Wellington nos anos seguintes a 2016 por entender que houve evolução - completou o Procurador.
 
Votação – O parecer do relator da Constituição e Justiça da Câmara, vereador Adilson Sabatke (DEM) foi pela aprovação das contas do prefeito Wellington no exercício de 2016, com ressalvas. Acompanhou o relator o vereador Cirineu Correa (PSD). 
 
 
Os vereadores do MDB, Claudia Buss e Eder Gielgen votaram pela rejeição das contas.
 
 
A bancada oposicionista ao prefeito, na Câmara, vereadores Dimas Humenhuck (PL); Edenilson Schelbauer (PL) e Abel Bicheski (SD) votaram pela rejeição das contas.
 
 
Os suplentes Marcia Nassif e Clecio Witt, substituindo os vereadores Joao Reiser (PSD) e Marise Valério (MDB) votaram pela rejeição das contas.
 
 
 
A surpresa ficou pelo posicionamento do vereador Valdir Sokolski, do mesmo partido do prefeito, o PSD, votando pela rejeição, depois de hesitar na hora do voto. O mesmo aconteceu com José Marcos Witt (PDT) que compõe dobradinha à majoritária de vice, na chapa com Vicente Saliba, vice-prefeito de Mafra; e do vereador Vanderlei Peters (PSL). O posicionamento dos vereadores do PDT e PSL nesta votação vem de encontro a decisão recente do prefeito Wellington Bielecki em não apoiar o seu vice, Vicente Saliba, nas eleições de novembro.